segunda-feira, 3 de novembro de 2008

(as mãos imensas do meu Pai, e a delicadeza com que abrigaram um passarinho, em Ilhabela)



ELEGIA - estrofe 7

-Cecilia Meireles-


(...)
Faltam teus olhos com ilhas, mares, viagens, povos,
tua boca, onde a passagem da vida
tinha deixado uma doçura triste,
que dispensava palavras.

Ah, falta o silêncio que estava entre nós,
e olhava a tarde, também.

Nele vivia o teu amor por mim,
obrigatório e secreto.
Igual à face da Natureza:
evidente, e sem definição.

Tudo em ti era uma ausência que se demorava:
uma despedida pronta a cumprir-se.

Sentindo-o, cobria minhas lágrimas com um riso doido.
Agora, tenho medo que não visses
o que havia por trás dele.

Aqui está meu rosto verdadeiro,
defronte do crepúsculo que não alcançaste.
Abre o túmulo, e olha-me:
dize-me qual de nós morreu mais.

4 comentários:

rachel walsh disse...

Fica bem.

Pris F. disse...

Dia 5 de Novembro faz 10 meses no qual meu pai se foi com essa doença, a saudade aumenta e me faz sentir perdida mas ao lembrar do sofrimento que ele passou no ultimo mês de sua vida é que encontro forças pra continuar a viver e apoiar minha mãe que sofre todos os minutos da sua vida a ausência do seu grande amor.
Acompanhei pela internet a sua luta e de sue pai, e te admiro pela força que você teve e que ela agora seja dobrada.
Meus sinceros sentimentos.

Charlie Liu disse...

Lê, sou uma péssima companhia pra essas horas, mas acho q vc recebeu meu abraço que mandei através de Ana... Te amo muito e estou louco pra te encontrar e matar a saudade dessa pessoa que se tornou imprescindível pra mim... VOCÊ!

Nina disse...

Cecília costuma falar por mim, também...

beijo