quarta-feira, 30 de julho de 2008

Dama do Telhado



Valente: Sou eu.
Dama do Telhado: Sei que é você.
Valente: Shhhh. Não fala nada.
Dama do Telhado: Como não falar? Minha vida é falar.
Valente: Por isso mesmo. Deixa a tua "vida" um pouco. Ouve. Vou te contar a história da tua Vida, com vê, com vê maiúsculo, com vê de veia, com vê de verdade. Com vê de você. Você que fala e fala e fala e tira o vê da vida e tudo fica só ida. Um dicionário sem vê, com ida, sem volta. A letra que te falta é a primeira letra do meu nome. Mesmo que eu finja que não sei. Mesmo que eu não saiba.
Dama do Telhado: Não importa.
Valente: Não importa.
Dama do Telhado: E por onde você entrou?
Valente: Pelas venezianas molhadas dos teus olhos.
Dama do Telhado: Eu sempre as fecho, à noite.
Valente: Você sempre as fecha. Em sonho, as abre. Em sonho, eu entro.
Dama do Telhado: Isso é sonho, então?
Valente: Você não distinguiria um sonho da realidade.
Dama do Telhado: Isso é realidade, então?
Valente: Não importa.
Dama do Telhado: Não importa.

3 comentários:

Déa Paulino disse...

Nem sempre temos um Valente para ouvir...
Gosto muito do que escreve aqui.
Um beijo!

Nina disse...

Ah, eu me lembro deste do outro blog!!!
Gostei muito quando li!!

Tefy disse...

adorei. Falta um valente, de vez em quando, para eu escutar... =/

:****