terça-feira, 3 de junho de 2008

Sou oficialmente uma protetora de animais

Meu marido diz que já parou de ser bondade e virou TOC, mas enfim. Não tem mais como fugir.
Sempre gostei de bichos, sempre tive vira-latas, mas agora a coisa virou profissa.
Isso desde que fui morar na Granja Viana e o dono da casa que eu aluguei deixou cinco cachorros pra gente cuidar - e nunca mais foi buscar.
Eram um pastor belga, um labrador, um golden e duas vira-latas.
Uma fugiu, a Sharis. O golden não andava, o dono falou que era porque ele era epiléptico (sim, ele era epiléptico), mas depois de duas semanas de ração boa o cachorro já corria. Todo mundo queria ele, o Pit, mas ninguém ficava quando sabia que ele tomava gardenal, um por dia. Consegui doá-lo faz uns quatro meses. O Sony, um labrador, eu doei na primeira semana, foi fácil. O Balu a gente segurou porque meu, era o melhor cachorro do mundo, mas aí surgiu uma proposta irrecusável, pra ele ir pra uma puta fazenda foda, e a gente achou que ele ia ser mais feliz.
A Laika Virgin, a última vira-lata, foi embora sábado passado. Mais de um ano depois disso tudo. A Rosana (Hermann, do Querido Leitor) ficou com ela. A Laika foi ser feliz em Águas de São Pedro.

*

Lógico que isso tudo não ia durar muito. Antes de ontem recebi um email sobre uma pitbull que foi envenenada pelo seu próprio dono, que ficou olhando ela estrebuchar. Ela foi recolhida pela carrocinha e ficou no CCZ de Diadema. Chorei que nem criança (ok, inferno astral é foda) e liguei pro número de telefone do email. No dia seguinte (hoje), mandei um taxidog ir pegar a cachorra lá em Diadema e levar direto pra veterinária.

Encurtando a história toda, ela está aqui em casa. Junto com dois gatos que chegaram hoje também, um outro gato que eu já tinha, um que vai embora amanhã (foi adotado!), uma cachorra que eu adotei, dois cachorros que eu ganhei e um que eu peguei e está pra adoção.

São Francisco perde. Mas essa é a vida que eu escolhi. Minhas pessoas, meus bichos, meus textos e minhas botas - todos sempre junto de mim, pra me fazer uma pessoa inteira.

6 comentários:

Nina disse...

Ai, também queria uma vida assim...
Mas por enquanto só minhas botas (e minha menina) estão por perto.
Falta tudo mais.

Lucy disse...

Lindo, venero bicho e me alegra ver gente fazendo algo de bom.
Tivesse eu espaço e condições, faria a mesma coisa.
Mas fica aí o seu exemplo a ser seguido.

Rico disse...

TOC nada, loucura mesmo... Mas ainda assim fico feliz em fazer parte dessa loucura. Love, Rico

Blogger disse...

Adorei o nome Laika Virgin!!

Rafael
http://quotidienlife.blogspot.com

Lilica disse...

Nossa, vc é que nem eu! Vira e mexe salvo cachorro, arranjo dono, já briguei com a carrocinha... faz 3 meses minha mae pegou uma cachorrinha na favela da beira da marginal... quem disse que a gente conseguiu doar? Nos apegamos!
Fora isso tenho uns 7 gatos... é sempre assim, os 1os bichinhos vêm naturalmente, daí nego fica sabendo q vc salva animais e começam a deixar tudo na sua porta... até de pomba já cuidei!
Precisando de ajuda nas doações, é só me mandar email!
Bjao!

Carla disse...

Oi lelê.
Primeiro quero dizer que fiquei bem feliz de achar esse teu blog (completamente por acaso) no QL. Gosto muito do TDUD, e sempre senti muita falta do espaço pra comentários por lá (mas eu imagino, e entendo, os motivos pra isso). Adorei a possibilidade de "conversar" com vc por aqui.
Sobre os animais. Entendo muito, muito bem o que vc escreveu. Somos cinco aqui em casa, mais os agregados (namorado, noiva, namorada) e todos completamente cachorreiros e loucos por animais. Temos três cachorros (em apartamento, por isso a limitação de número), dois deles recolhidos da rua, um deles trazido de volta da morte (literalmente). O John Lennon está conosco desde sempre. O Floyd e a Nina são os nossos streets amados.
Na nossa história de família protetora já são muitos e muitos cachorros recolhidos, tratados, amados, cuidados e doados. A última foi a Lady, uma dalmata linda, adotada semana passada por uma garotinha de quatro anos (que escolheu o nome), que, em um primeiro olhar, apaixonou-se completamente por ela.
O sentimento de poder ajudar esses seres especiais, que so querem e só dão amor, não tem preço e não pode ser explicado, apenas sentido. E é um sentimento de felicidade plena.
Vc já descobriu isso e é a mais pura verdade: depois do primeiro animalzinho ajudado, vc nunca mais consegue parar. E isso é ótimo!
Continue assim... TOC, loucura, mania, não importa como os outros enxerguem. Importa, somente, os nossos amores de quatro patas protegidos das maldades do mundo.
Um dia, quem sabe, o ser humano perceba que violência/maldade/falta de respeito são sempre ruins, sejam direcionadas a quem for.
Sucesso e sorte pra vc, em toda a sua inteireza.
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"Enquanto os homens pensarem que os animais não sentem, os animais sentirão que os homens não pensam."