sábado, 15 de novembro de 2008

Diva Eterna

Daí que na quinta-feira fomos ao show da Cyndi Lauper. Eu já assisti a shows dela das duas vezes em que ela veio ao Brasil, sou fãzaça, mesmo, de saber todas as letras, de dançar igual. Eu aprendi a dançar vendo Cyndi dançar, eu aprendi a mudar a cor e o corte do cabelo a cada semana com ela, eu aprendi a escrever versos doídos com ela. Cyndi está no topo da minha cadeia musical, como Ted Hughes e Christian Bobin estão no topo da minha cadeia poética, o que, na verdade, dá na mesma. Cyndi é poesia em forma de som e fúria.

O que vi nessa quinta foi uma Cyndi obviamente mais velha (55 anos) e incrivelmente MUITO mais rock'n'roll. Mesmo o último cd tendo sido supereletrônico, ao vivo é outra história: guitarra, baixo, bateria e MUITA voz. Não estou falando (só) dos agudos superpotentes: uma cantora não se faz só com uma tessitura vocal abrangente, é muito mais que isso. É alma no corpo da voz.

Ouvir When You Were Mine ao vivo foi absurdo. Re-ouvir Girls Just Wanna Have Fun ao vivo foi delicioso:



(eu quero esse cabelooooooooooooooo)



Ficou faltando Shine (que ela cantou na sexta, meu Deus), mas ok, eu ouvi o tempo todo na volta pra casa, porque está no meu peito e no meu pulso...


...pra sempre. My music.

sexta-feira, 14 de novembro de 2008

Sobre Ratos - 2

Nego acha que pode falar merda e ficar na boa. Bom, se tem uma coisa que eu aprendi com meu pai é que não. E é em nome dele é que não vai ser assim.

Se vocês querem saber do que eu estou falando, por cima a história é a seguinte: um cara que sempre assinou como Metheoro e sempre "acompanhou" o TDUD?, participando de programas a que a gente ia e mandando scraps/tweets elogiando todos... ele e alguns amigos dele. Daí o cara resolveu mudar de idéia: o TDUD? é ruim e tal. Ele e os amigos dele. Mas beleza, até aí.

Daí o cara faz um hate blog (pronto, vai ter mais que 10 acessos/dia agora) pra falar mal de quem? TDUD?. E quem comenta? Aqueles tais amigos dele (um deles inclusive que espalhava pra galera que era um dos meus melhores amigos e... not). O blog é feito pra ofender várias pessoas (Polly, Didi e eu inclusive), mas ofender de verdade, falar mentiras, machucar pessoas, injuriar, difamar. A partir de ontem, o alvo sou eu, por causa do post abaixo.

Bom, minha resposta é este post e um processo bem montado. O nome verdadeiro do dono daquele blog (que não assina, obviamente - esse povo trabalha só com pseudônimo sempre) é José Hilário Jr, um recifense que agora mora em SP - é esse cara aqui (obviamente já devidamente bloqueado) e aqui (já trancado, não duvido que delete logo também). Aperta a campainha e sai correndo. Ofende, calunia, injuria e quando é confrontado alega "opinião" ou diz que está sendo "intimidado" (ver comentários).

Não me pronuncio mais sobre isso, por enquanto. Nem no blog nem no twitter. Obrigada a quem me mandou emails ontem à noite sobre o assunto. Quem quiser me contatar sobre isso e saber o que estou fazendo a respeito pra poder entrar na história - porque o cara joga merda pra tudo quanto é lado -, por favor escreva para alesie@gmail.com.

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Update: quem se sentiu incomodado/lesado pelos posts do blog do cidadão, por favor entre em contato. Acabo de falar com meu advogado pelo telefone e enviar-lhe a documentação e ele diz que a ação pode, sim, ser conjunta, se for o caso.

quarta-feira, 12 de novembro de 2008

sobre ratos

Como diz a Polly, tem dias em que a gente se sente em um episódio de baixo orçamento de Gossip Girl. A única diferença é que não somos milionários e não estamos no Upper East Side. Ah, sim, e nossos vilões não possuem o mesmo talento para a maldade e deixam rastros, jurando que nunca serão descobertos. Então, esse é apenas um recado para as pessoas que eu deixo entrar na minha casa e abusam da minha confiança: vocês não são tão espertos quanto pensam e ninguém aqui está em um seriado de adolescentes para ficar invadindo computador e repassando informações, muito menos para sair roubando objetos. Sim, eu podia chamar a polícia, porque, ao contrário de intriguinha de internet, roubar dá cadeia, mas não vou perder mais energia com molecagem.

Vai fazer o quê? Vender no Mercado Livre? Leiloar no Orkut? Lamento informar, mas não vai conseguir nem 20 conto. O que você levou no domingo eu posso repor e a minha vida (ou a dos meus amigos) não vai ficar mais ou menos rica por causa disso ou por causa de magoazinha de internet, mas falta de honra e caráter (roubar a casa dos outros e invadir privacidade tem outro nome?), ah, isso sim ACABA com a vida de uma pessoa, e é por isso que eu tenho pena de vocês. Não porque eu "falo mal de todo mundo mas não agüento", mas porque desonestidade e traição, dentro da minha casa, me embrulham o estômago.

Vocês sabem quem são.

terça-feira, 4 de novembro de 2008

Stop the Clocks - Translated into English by John Lyons

So, Dad, I'm going to speak while the blood is warm - mine, and yours still. Because you died seven hours ago, just seven, and already it seems like seven years.


Your doctor was with me and he said that he never saw a life force than yours. Such a goddamned will to live, contradicting all prognoses, shrinking cancers, increasing levels of God knows what in a way no one could explain. I told him that you were always like that, Dad, you always did what you wanted - and what you most wanted in this life was to live as much as you could.

And when you stopped breathing, you were sufficiently generous, given the fact that my mother put her hand on your chest to see if your heart was still beatng, to give her three more beats, before stopping altogether. Your heart did not stop beating in my mother's hands, your ex-wife's - it beat three more times, a present which meant more than any other thing you might have promised to any other person.

And when that immense tear fell into the corner of your eye, after you stopped breathing and after your heart stopped beating, I know that was when you cast off the armor from around your soul, and handed it to Life saying: "I never gave up; it was you that defeated me". Because you would never give up, Dad; you, never. And you taught me more in these 40 days than in 30 years. 

That I am like you, Dad, I always knew, and everyone always said so. But today, after dressing, combing, and perfuming your body just as you would do for a big date with some big-thighed fancy lady, I moved away from the cold slab feeling for the first time in my life that something REALLY NEW had been born in me. I am feeling you within me in a way that is different from love or nostalgia. It is almost physical, almost the opposite of a cancer, an unexpected spiritual metastasis.

I promise to honor you every day, Dad, to honor your name, your sense of justice and your taste for irony, honor your sharp and incomparable intelligence, your honesty and common sense, your weakness for vain and ephemeral passions, for a good lay, a good table, for real beer (because the others were only fit for pipe-cleaning), to honor your eternal motto "don't make it easy". But principally, Dad, I promise to honor your honor. Tooth and nail, forever and ever.

*

EHRE ÜBER ALLES

Poetry above all

E quando está tudo difícil demais a ponto de você perguntar se vai mesmo conseguir aguentar abrir uma lata de pêssegos em calda sem explodir em lágrimas e dor, vem a poesia e te salva, e diz tudo por você, e te abraça e diz que "it'll all be ok".

O poema abaixo foi escrito no dia da morte do meu pai, por John Lyons, e é uma das coisas mais impressionantemente lindas que eu já li na vida. John conheceu meu pai por alguns anos, mas conheceu tudo dele, e eles eram muito amigos.

Thank you, Brother.


Waldir

There are names

And there are names,

Drenched in emotion

But free from tears

Names that sail

Freely along the coast

Of Ilhabela

Names that dwell

On the tip of the tongue

Names that are in essence

A kiss

Or a warm embrace

Names that love

The laughter of life

And scoff at death’s

Dismal victory,

names that purr after dark

just as Carol

is purring still

on the stairs

in São Carlos;

there are names

soaked to the core

in honour

in dignity

in respect,

names with a fierce

tenderness,

names that are

essential to the smooth

running of life

and that cause us to stand

to attention

as they pass us by

or as they pause

to spend a few years

with us, names

that charge the memory

with indelible moments,

names that bear

testimony to the stubbornness

of love, to the fact

pure and simple

that love outlives

pedestrian life that ultimately

cannot keep pace, cannot

go the distance, life

that empty misnomer!

What’s in a name?

That uncommon denominator

That we carry from

The date of our birth

Up to and beyond

The moment of complete

Release, no longer

The wounded bird

Held in delicate hands,

But a name that soars

In the beating heart,

For ever and ever.

John Lyons

2 November 2008

segunda-feira, 3 de novembro de 2008

(as mãos imensas do meu Pai, e a delicadeza com que abrigaram um passarinho, em Ilhabela)



ELEGIA - estrofe 7

-Cecilia Meireles-


(...)
Faltam teus olhos com ilhas, mares, viagens, povos,
tua boca, onde a passagem da vida
tinha deixado uma doçura triste,
que dispensava palavras.

Ah, falta o silêncio que estava entre nós,
e olhava a tarde, também.

Nele vivia o teu amor por mim,
obrigatório e secreto.
Igual à face da Natureza:
evidente, e sem definição.

Tudo em ti era uma ausência que se demorava:
uma despedida pronta a cumprir-se.

Sentindo-o, cobria minhas lágrimas com um riso doido.
Agora, tenho medo que não visses
o que havia por trás dele.

Aqui está meu rosto verdadeiro,
defronte do crepúsculo que não alcançaste.
Abre o túmulo, e olha-me:
dize-me qual de nós morreu mais.

domingo, 2 de novembro de 2008

Stop the Clocks

Então, Pai, eu vou falar enquanto o sangue tá quente - o meu e o teu, ainda. Porque você morreu faz sete horas, só sete horas, e parece que já faz sete anos.

Teu médico esteve comigo e disse que nunca viu uma força de vida maior que a sua. Uma vontade de viver tão foda, contrariando todos os prognósticos, diminuindo cânceres, aumentando taxas sei-lá-de-quê de uma forma que ninguém soube explicar. Eu disse pra ele que você sempre foi assim, Pai, você sempre fez o que queria - e o que mais quis nessa vida foi viver tudo o que podia.

E quando você parou de respirar, foi generoso o suficiente para, diante do fato de minha mãe colocar sua mão no teu peito pra ver se teu coração ainda batia, dar a ela três pulsações outras, antes de parar de vez. Teu coração não parou de bater nas mãos da minha mãe, tua ex-mulher - ele bateu outras três vezes, um presente que significou mais do que qualquer outra coisa que você possa ter prometido pra qualquer pessoa.

E quando tua lágrima grossa caiu do canto do teu olho, depois que você parou de respirar e teu coração parou de bater, eu sei que foi quando você tirou a armadura de cima da tua alma, entregou pra Vida e falou: "Eu não desisti; você que me venceu". Porque você não desistiria jamais, Pai; você, não. E você me ensinou muito mais nestes 40 dias do que em 30 anos.

Que eu sou parecida com você, Pai, eu sempre soube, e todo mundo sempre disse. Mas hoje, depois de vestir, pentear, perfumar teu corpo como você faria para um grande encontro com uma sirigaita de coxas grossas qualquer, eu saí de perto da mesa gelada sentindo pela primeira vez na vida que algo REALMENTE NOVO brotou em mim. Estou sentindo você dentro de mim de uma forma diferente de amor ou saudade. É quase físico, quase o avesso de um câncer, uma metástase anímica inesperada.

Prometo te honrar a cada dia, Pai, honrar teu sobrenome, honrar teu senso de justiça e teu humor sarcástico, honrar tua inteligência afiada e incomparável, tua honestidade e sensatez, tua queda por paixões fúteis e efêmeras, pela boa cama, pela boa mesa, pela cerveja de verdade (porque o resto é para limpar cachimbo), honrar o eterno lema "não facilite". Mas principalmente, Pai, prometo honrar a tua honra. Com unhas e dentes, para todo o sempre.


EHRE ÜBER ALLES


Vai com Deus, Pai, e olha por mim.